Para escrever

o conto e o conto contemporâneo

Breves histórias
de Nós

às quartas-feiras, das 19h às 21h

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“Breves histórias de nós” é um percurso de nove encontros dedicado a pensar o conto e o conto contemporâneo, sem deixar de lado as bases necessárias para que esse pensamento seja realizado de forma aprofundada. Com condução de Veronica Stigger, Schneider Carpeggiani e Cristhiano Aguiar, o curso inicia com a incontornável teoria do conto de Ricardo Piglia, passa pelos contos da América Hispânica em três tempos (o Boom, o pós-Boom e o horror a partir de 2010) e chega à ideia do conto experimental.

Módulos

Teoria e prática
do conto

com Veronica Stigger | 23 e 30 de setembro, 7 de outubro

Em suas “Teses sobre o conto”, Ricardo Piglia sugere que o conto narra sempre duas histórias – uma história aparente e uma história secreta – e que a arte do contista consiste em saber cifrar a história secreta na história aparente. Neste curso, examinaremos, a partir da leitura (realizada em conjunto durante a aula) do ensaio de Piglia e de contos exemplares, como “O Sul”, de Jorge Luis Borges, os diferentes procedimentos por meio dos quais certos autores entremeiam as duas histórias. Num segundo momento, discutiremos, à luz dessas considerações preliminares, textos produzidos pelos participantes. 

Aula 1: Leitura conjunta do texto “Teses sobre o conto”, de Ricardo Piglia. 

Aula 2: Leitura conjunta do conto “O sul”, de Jorge Luis Borges. Proposta de exercício a ser realizado em casa.

Aula 3: Leitura e discussão do exercício realizado pelos participantes.

É escritora, crítica de arte e professora universitária. Entre seus livros publicados, estão Opisanie świata (2013), Sul (2016), Sombrio ermo turvo (2019) e Krakatoa (2024). Com Opisanie świata, seu primeiro romance, recebeu os prêmios Machado de Assis, São Paulo (Autor Estreante) e Açorianos (Narrativa Longa). Com Sul, ganhou o Prêmio Jabuti. Sombrio ermo turvo, por sua vez, esteve entre os finalistas do prêmio Jabuti e Oceanos; e Krakatoa, do Prêmio São Paulo de Literatura.

Exílios, fantasmas & drama

contos da América Hispânica em três tempos

com Schneider Carpeggiani | 14, 21 e 28 de outubro

No módulo proposto iremos oferecer um panorama do conto hispano-americano, a partir da obra de quatro autores, a saber: Julio Cortázar (Todos os contos), Roberto Bolaño (Putas assassinas, Chamadas telefônicas e O gaúcho insofrível), Mariana Enriquez (As coisas que perdemos no fogo) e Samanta Schweblin (O bom mal). A perspectiva é discutir as características estilísticas e políticas da tradição do conto da América Hispânica, bem como suas particularidades, focando em três momentos específicos: o Boom literário de meados do século 20, o pós-Boom que emergiu a partir da década de 1990 e o uso do horror como gênero, sobretudo pelas autoras, que tanto marca a produção da década de 2010 em diante. Para isso, iremos ler e discutir algumas das grandes obras desses autores ao longo de três aulas.

Encontro 1: o Boom literário da América Hispânica; Julio Cortázar.

Encontro 2: o pós-Boom da década de 1990; Roberto Bolaño.

Encontro 3: o uso do horror a partir de 2010; Mariana Enriquez, Samanta Schweblin.

É jornalista e doutor em teoria literária. Foi editor do Suplemento Pernambuco e atua como curador de eventos como A Bienal do Livro de Pernambuco (2015, 2017, 2019, 2021 e 2023) e Bienal do Livro da Bahia (2022 e 2024). Atualmente é editor na Autêntica, crítico literário e editor do suplemento O mantiqueira.

Narrando histórias fora da caixa

o conto experimental

com Cristhiano Aguiar | 4, 11 e 18 de novembro

As origens da arte narrativa do conto são imemoriais e derivam das tradições orais. O conto é tanto filho do mito, quanto da necessidade social de compartilhamento da experiência do dia a dia. Ao longo de séculos, portanto, a forma do conto se estruturou e se cristalizou em torno do desenvolvimento de um enredo e ao redor de conflitos claros e definidos vividos por seus personagens. No entanto, a partir em especial do século XX, os limites do que pode ser chamado de conto se expandiram imensamente. Embora a ideia de experimentalismo seja muito associada ao gênero literário do romance, o conto é também um lugar fecundo de experimentação literária. A proposta dos três encontros consiste em pensar a potencialidade do conto para além da sua estrutura tradicional. Nós nos perguntaremos: até onde pode ir o conto? O foco consistirá em análises de contos nas duas primeiras aulas. Haverá, também, a proposta de um exercício, cujo resultado será debatido com a turma na terceira aula. 

  • Apresentação e conversa geral com os alunos;
  • Revisando: qual é a forma mais tradicional de um conto? Pensando um pouco com Machado de Assis
  • Conto a ser debatido:
    • Meu tio, o Iauaretê, de João Guimarães Rosa
  • Contos a serem debatidos:
    • O pássaro transparente, Osman Lins
    • A marca na parede, Virginia Woolf
  • Proposição de um exercício de escrita para o Encontro 3
  • Leitura e debate sobre as produções textuais da turma

É escritor, crítico literário e professor. Formado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco, é professor do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, tendo sido pesquisador-visitante em Berkeley, Princeton e UCLA. Atualmente, coordena o Programa de Pós-Graduação em Letras do Mackenzie. Publicou os livros de contos Na outra margem, o Leviatã (Lote 42, 2018) e Gótico nordestino (Alfaguara/Companhia das Letras, 2022). Em 2022, Cristhiano Aguiar ganhou o prêmio Clarice Lispector de Melhor Livro de Contos, da Biblioteca Nacional, por Gótico Nordestino. Lançou, em 2025, o livro de ensaios Tanto oceano, tanta solidão: ficção brasileira e vida social (Aboio). Seu próximo livro, A Quimera, seu primeiro romance, pela Companhia das Letras.

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