leitura de apoio à escrita
Fran Lebowitz, umas das intelectuais mais interessantes e selvagens dos nossos tempos, escreveu pouco e leu muito, mostrando que para ser influente, brilhante e, sobretudo, certeira, a leitura deve vir antes da escrita. “Antes de falar, pense. Antes de pensar, leia um livro”, cravava ela, dando arrepios em autores estreantes e jornalistas neófitos. Não sejamos tão radicais, claro, mas pela minha experiência como editora, eu teria menos experiência como editora se os autores lessem mais: ler dá parâmetro, cria exemplo, produz ideia, amplia repertório, cria diálogo. É lendo que a gente aprofunda a dimensão literária e o toque humano.
Por isso, eu e Lilian Sais pensamos uma espécie percurso de leitura de apoio à escrita, em que escolhemos livros cruciais para desfazer os principais nós de quem escreve: narradores, estrutura, personagens, começos, ambiente etc. Escolhemos um livro por mês que nos dê assunto e exemplo para discutir uma questão específica, chamamos outros livros para a conversa e, durante uma sessão por mês, falo sobre o livro e ouço os alunos com suas considerações.
Cada ciclo de leitura tem quatro encontros, um por mês, com livros sobre o mesmo tema. A leitura é desdobrada numa conversa coletiva, em que traremos exemplos de outros livros, livros irmãos e livros opostos, exemplificando e ajudando o leitor (e escritor!) a encontrar o melhor caminho para sua própria escrita.
Para todo mundo que escreveu, escreve ou escreverá. Os temas são escolhidos com base em dúvidas que aparecem frequentemente nas aulas da Para Escrever, justamente para dar respostas, soluções e ideias que ajudem a entender o caminho a seguir, a partir de caminhos já trilhados pelos autores que amamos. Para a conversa, é sempre interessante que você tenha lido o livro do mês, mas não é pré-requisito: falaremos bastante dele.
Ana Lima Cecilio é formada em Filosofia, e trabalha há quase 30 anos no mercado editorial. Já foi livreira, passou por várias editoras, foi curadora da Flip em 2024 e 2025. Hoje, além de escrever a newsletter A Lábia, sobre leitura e dicas de livro, também é editora de Literatura Brasileira na Record, onde aprende todos os dias que para escrever a gente tem que, antes de tudo, ler.
No primeiro ciclo, discutiremos narradores. Primeira ou terceira pessoa? Há outras possibilidades? E quando o livro é narrado por mais de um narrador? Como deixar a mudança orgânica?
O ciclo conta com encontros mensais, online, realizados via Zoom, às quintas, sempre das 19h às 21h, em setembro, outubro, novembro e dezembro. Confira abaixo os dias em que serão realizados e os livros escolhidos.
Yazmina Reza (Aiyné)
Exemplo perfeito de história construída por vários narradores, salta de um para outro mudando a ótica e a razão, e fazendo a gente acreditar que tudo é uma questão de ponto de vista.
Claire Mono Dupont
Uma história de amor contada em duas partes? Ou duas histórias de amor? Dividido em duas partes, que são duas cartas, o livro ensina como a narração em segunda pessoa pode dizer tanto sobre quem narra. E de quebra uma baita lição sobre humor, delicadeza e grandes histórias de amor.



Ágota Kristóf (Dublinense)

É formada em Filosofia, e trabalha há quase 30 anos no mercado editorial. Já foi livreira, passou por várias editoras, foi curadora da Flip em 2024 e 2025. Hoje, além de escrever a newsletter A Lábia, sobre leitura e dicas de livro, também é editora de Literatura Brasileira na Record, onde aprende todos os dias que para escrever a gente tem que, antes de tudo, ler.
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