Para escrever

Não-ficção criativa

Escritas selvagens

às segundas-feiras, das 19h às 21h

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Ao menos desde os anos 1970, a literatura vem sendo pensada muito além de seus aspectos puramente textuais. Ela se abriu a outras formas artísticas em combinações inúmeras, incorporando discursos que vão do jornalístico ao ensaístico, ora fundindo-se ao poético, ora integrando-se à “fábrica de realidade” que compõe os modos como narramos a contemporaneidade. Para diversos autores atuais, as fronteiras dos gêneros deixam de ser uma questão do fazer literário, tornando-se apenas rótulos que estruturam o mercado editorial.

Este curso, dividido em cinco encontros, propõe uma reflexão profunda sobre essas novas formas de narrativa. Combinando reflexão crítica e prática textual, o programa é destinado a quem deseja praticar formas de escrita não convencionais, explorando materiais pessoais, investigações e múltiplos arquivos. O objetivo é empreender uma escrita selvagem: uma escrita não catequizada ou “civilizada” pelas amarras de formas prévias.

Estrutura
dos Encontros

A literatura
além do literário

  • Foco: O campo expandido da literatura. Combinações com outras artes. A literatura e a fábrica de realidade do presente.
  • Eixo Teórico: Rosalind Krauss (o conceito de campo expandido); Florencia Garramuño e Josefina Ludmer (literaturas pós-autônomas).
  • Obras de Referência: O nervo óptico, de María Gainza, Só garotos, de Patti Smith
  • Dinâmica: Introdução aos conceitos e proposta de exercício prático de escrita.

Como se narra
o contemporâneo?

  • Foco: Obras e reflexão crítica sobre a escrita contemporânea. O hibridismo e a quebra de expectativas de gênero.
  • Eixo Teórico: Rafael Gutierrez (Formas híbridas); Indicionário do contemporâneo.
  • Obras de Referência: Exploração, de Gabriela Wiener, Flâneuse, de Lauren Elkin
  • Dinâmica: Discussão teórica, leitura de textos artísticos e de alguns dos textos produzidos no primeiro encontro; nova proposta de exercício de escrita.

Memórias pessoais, familiares e coletivas

  • Foco: Construindo uma escrita memorialística e geracional. O uso de arquivos, traumas e vestígios.
  • Eixo Teórico: Leila Guerriero (A crônica latino-americana); Alberto Giordano (O diário como material ficcional).
  • Obras de Referência: Em memória da memória, de Maria Stepánova, O retorno, de Hisham Mattar.
  • Dinâmica: Discussão teórica, leitura de textos artísticos e de alguns dos textos produzidos no primeiro encontro; nova proposta de exercício de escrita.

Quando as artes
invadem o literário

  • Foco: Ensaios sobre arte e a autobiografia do sujeito artístico. A escrita que fricciona a imagem.
  • Eixo Teórico: Artforum, César Aira e A exposição, Nathalie Léger
  • Obras de Referência: Um dia na vidaOs diários de Emilio Renzi, de Ricardo Piglia
  • Dinâmica: Leitura em sala dos textos do encontro anterior e proposta do exercício/texto final.

Laboratório selvagem

Foco: Leitura coletiva dos textos finais produzidos ao longo do curso, debates e comentários críticos da turma e do professor. Fechamento das investigações práticas.

1. Só garotos, Patti Smith

2. Flâneuse – Lauren Elkin

3. Em memória da memória, Maria Stepánova

4. A exposição, Nathalie Léger

5. Exploração, Gabriela Wiener

6. O retorno, Hisham Mattar

7. O nervo óptico, María Gainza

8. A chamada, Leila Guerriero 

1. Rosalind Krauss – “Escultura em Campo Ampliado”

2. Florencia Garramuño – Frutos estranhos

3. Josefina Ludmer – Aqui, América Latina

4. Ricardo Piglia – Um dia na vida – Os diários de Emilio Renzi

5. Pedrosa, Célia et al. Indicionário do contemporâneo

6. César Aira – Artforum

7. Rafael Gutierrez. Formas híbridas

8. Alberto Giordano – A senha dos solitários

MINISTRANTE

È escritor, crítico e editor de livros. Doutor em literatura pela PUC-Rio com pós-doutorado em teoria literária pelo IEL-Unicamp, atua como âncora, comentarista e crítico literário da rádio CBN e consultor editorial da DBA Literatura. Foi editor da Globo Livros e colabora com o jornal Valor Econômico. É autor das coletâneas de poemas A arte de andar por aí sem portar um celular, Encenações para uma novela russa, o plaquete Febre no Leblon, e diversas obras para os públicos infantil e infanto-juvenil. Sua obra mais recente é A ilha do silêncio: terror e genocídio na Terra do Fogo (Editora Fósforo), mescla de ensaio, relato de viagem e investigação histórica sobre Dawson, ilha no extremo sul chileno.

Não-ficção criativa

Escritas selvagens

R$ 449,00

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