A Imersão em Poesia do Para escrever conta, neste semestre, com três módulos, comandados respectivamente por Pedro Cassel, Patrícia Lino e Bruna Mitrano. Cada módulo tem quatro encontros de 2h de duração cada, sempre às terças-feiras, das 19h às 21h. Além dos encontros de cada módulo, nesta edição temos quatro poetas convidados, que conversarão com a turma sobre suas experiências, trajetórias e considerações sobre a poesia e sobre a vida de poeta no Brasil hoje. Os convidados são Ana Maria Vasconcelos, Clarisse Lyra, Mar Becker e Fabrício Corsaletti
Ao longo do curso, as/os participantes serão acompanhados por três professores: Pedro Cassel, Patrícia Lino e Bruna Mitrano, cada um sendo responsável por um módulo de 4 encontros
Os módulos são teóricos e práticos e contam com exercícios de escrita. Haverá devolutiva dos professores em relação aos poemas produzidos a partir dos exercícios.
Além dos ministrantes, a ideia é que a própria turma interfira com seus comentários e sugestões, uma vez que entendemos que há um processo de aprendizado que nasce do ato de ler e de comentar textos dos colegas.
Temos como objetivo estabelecer a escrita de cada autora/autor individualmente, de acordo com seus interesses e projetos estéticos, e compreender o trabalho de edição como um dos pilares do processo criativo.
(clique para conferir os detalhes)
com Pedro Cassel
Nessa oficina, vamos investigar procedimentos que a poesia utilizou, em diferentes épocas, para se aproximar dos mitos gregos. A cada encontro será lida uma seleta de poemas escritos no entorno de um mesmo mito, observando quais são as imagens e questões mais recorrentes, e depois os participantes farão suas próprias tentativas. Nas leituras, vamos passar por autores como Antonio Cicero, Ana Martins Marques, William Carlos Williams, Angélica Freitas, Goethe, Franz Kafka, Adélia Prado, Byron, Hans Magnus Eszenberges, Jorge Luis Borges e outros. Como parte do estudo, também investigaremos como algumas pinturas e esculturas retratam esses mesmos mitos.
Encontro 1: Ícaros: versos em torno da queda.
Encontro 2: Prometeus: elogios da rebeldia e poemas em torno da desobediência.
Encontro 3: Sísifos: cantos de trabalho, reflexões sobre o castigo divino.
Encontro 4: Minotauros: a escrita da monstruosidade e da diferença.

Nasceu em Florianópolis e mora em Porto Alegre. É autor dos livros
Kiwi (Garupa, 2021), Se eu fosse uma festa (IEL-RS, 2023) e
Caderno de Cadernos (Círculo de Poemas/Fósforo, 2026).
Na música, lançou os álbuns Abrir (2020) e Boca Braba (2022), tendo parcerias de composição e gravação com artistas como Letrux, Ana Guadalupe e Bruna Beber. Atualmente cursa pós-graduação em Letras com ênfase em Escrita Criativa.
com Patrícia Lino
A partir da análise expandida de várias(os) autoras(es), como, por exemplo, Luís Aranha, Oswald de Andrade, Pagu, Julieta Barbara, Augusto de Campos, Ferreira Gullar ou Neide de Sá, propõem-se três ideias centrais: a) a criação da infraleitura, um novo tipo de ensaio intermedial, performático e anticolonial que se desdobra na expansão das faculdades corporais da própria ensaísta; b) a coincidência entre intermedialidade e a prática antropofágica no desenvolvimento do fazer das vanguardas brasileiras; c) e, finalmente, a reabilitação tanto do estatuto híbrido de certos trabalhos literários canónicos quanto de trabalhos esquecidos ou ostracizados pela crítica.
EXPANSÃO, INTERMEDIALIDADE OU HIBRIDEZ
O que é um poema?; O que é um poema expandido?; Expansão versus livro; A universalidade sensata da expansão; De Símias de Rodes a Mallarmé; Os contemporâneos não sabem ler; Como ler um poema expandido?
A INFRALEITURA
O que é a infraleitura; Corporalidade, decolonização, performance académica; O corpo da ensaísta em expansão; Alguns exemplos práticos de infraleitura.
EXERCÍCIO PRÁTICO DE INFRALEITURA
[a partir de poemas de Ana Hatherly, Alexandre O’Neill, Mary Ellen Solt, Philadelpho Menezes, Eugen Gomringer, Salette Tavares, Max Bense ou Norman H. Pritchard]
CIDADE + ESPACIALIZAÇÃO + MIMESIS, MOVIMENTO E TRIDIMENSIONALIDADE
O poema e o aparecimento da cidade; Flâneur — flâneuse; Mimesis e o poema espaciotemporal; Dziga Vertov e o kino-eye; Luís Aranha e o poema-olho.
CHARLES BAUDELAIRE + CESÁRIO VERDE + ÁLVARO DE CAMPOS + LUÍS ARANHA
Análise comparada de poemas de Charles Baudelaire, Cesário Verde, Álvaro de Campos e Luís Aranha.
ANTROPOFAGIA, EXPANSÃO E ANTICOLONIALISMO
Antropofagia e reciclagem; Expansão antropófaga; A intermedialidade é sempre política; Cinema e colagem.
READY MADE, COLETIVIDADE E NÃO-ORIGINALIDADE
Marcel Duchamp e Oswald de Andrade; Os primeiros modernistas e o princípio da coletividade (Semana de Arte Moderna, outras colaborações interdisciplinares); Apropriações artísticas recentes do Theatro Municipal de São Paulo (Emicida, Exposição “Contramemórias”); Contra o estatuto da(o) a(o) autor(a) ocidental.
LIVROS DE POEMAS COM DESENHOS: INFANTILIDADE E HIBRIDEZ
Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo (1918-19); Feuilles de Route (1924); Pau Brasil (1925); Quelques Visages de Paris (1925); Primeiro Caderno do Alumno de Poesia Oswald de Andrade (1927); O Mundo do Menino Impossível (1927).
ÁLBUM DE PAGU + QUADRINHOS
A produção interdisciplinar das mulheres: Patrícia Galvão; Interdisciplinaridade e feminismo: Álbum de Pagu (1929); Álbum de Pagu e os quadrinhos; Os quadrinhos feministas de Pagu para O Homem do Povo.
DIA GARIMPO
A produção interdisciplinar das mulheres: Julieta Barbara; Um livro de poemas com desenhos esquecido pela crítica: Dia Garimpo (1939); Análise de “Mãe gentil”.
ANOS 80-2000: LIVROS DE POEMAS COM DESENHOS
Zuca Sardan, Eustáquio Gorgone de Oliveira, Jorge Lima Barreto, Mário Vaz, Nicolas Behr, Waly Salomão, Ana Cristina Cesar, Manoel de Barros, Hilda Hilst e Douglas Diegues.
SIGNATARI: OSWALD PSICOGRAFADO
EXERCÍCIO DE POESIA EM QUADRINHOS
NÃO-COMUNICAÇÃO, ANTI-LOGOCENTRISMO E CODIFICAÇÃO
O princípio subtrativo da composição; Uma erótica da interpretação. O aparecimento da(o) leitor(a); Colaboração autoral.
INTRODUÇÃO À POESIA CONCRETA
“Plano-piloto para poesia concreta” (1958); O poema como um objeto intrincado; A verbivocovisualidade. Análise de poemas de Edgard Braga, Ronaldo Azeredo, Augusto de Campos, Felipe Ehrenberg e Décio Pignatari.
AUGUSTO DE CAMPOS, 5 DÉCADAS DE PRODUÇÃO
Filosofia do NÃO; O NÃO como arte poética; Poema concreto de intervenção; Poema concreto criptogramático.
INTRODUÇÃO AO NEOCONCRETISMO
O corpo material; Co-autoria; Leitura corporal.
O CORPO SEM ÓRGÃOS DE LYGIA CLARK
Objetos relacionais; A performance e o regresso ao ventre; Performance e terapia.
OS POEMAS TRIDIMENSIONAIS DE FERREIRA GULLAR
“Teoria do não-objeto”; Livro-poema; Poema tridimensional; Poema espacial.
DEPOIS DE GULLAR: POEMA-OBJETO COLABORATIVO
Nicanor Parra, Joan Brossa, Lenora de Barros.
INTRODUÇÃO AO POEMA/PROCESSO
A AVE DE WLADEMIR DIAS-PINO
DUAS MANIFESTAÇÕES DO POEMA/PROCESSO
Poemas/processo em quadrinhos; Os inimigos da poesia: “Rasga-rasga”, Arte no Aterro, exibição de Apocalipopótese (1969) de Raymundo Amado, Pirapora, Feira de Arte de Recife; Poemas comestíveis (Edgardo Antonio Vigo, Anna Bella Geiger, Artur Barrio, Bartolomé Ferrando, Grupo Escombros); Poesia viva (Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Luis Pazos, Letícia Parente, Ivald Granato & Ulises Carrión, Lenora de Barros, Bartolomé Ferrando).
OS POEMAS PERFORMÁTICOS DE NEIDE DE SÁ
Visualidade e descodificação; Espaço, fragmentação e performance; O fim do alfabeto é o corpo ou o poema ludoterapêutico.
MANIFESTAÇÕES RECENTES DO POEMA EXPANDIDO BRASILEIRO
Lenora de Barros (1953-); Leonilson; Arnaldo Antunes (1960-); Eduardo Kac (1962-).

É poeta, ensaísta, performer, tradutora e Professora Associada de poesia e artes visuais na UCLA. Entre os seus livros, videopoemas, traduções, performances, palestras-performances e experiências sonoras constam, por exemplo, Pequenas Glórias (2026), RUMOR (2025), Todo poema é um kindergarten (2025), I Am a Poet, I Was a Starling (2025), Imperativa Ensaística Diabólica(2025). Infraleituras da Poesia Expandida Brasileira (2024), O Kit de Sobrevivência do Descobridor Português no Mundo Anticolonial (2024), A Ilha das Afeições (2023), Barriga ao Alto (2023), I Who Cannot Sing (2020) ou Vibrant Hands (2019). O seu trabalho foi publicado e apresentado em mais de 10 países.
com Bruna Mitrano
“Poesia, corpo e conflito” é uma imersão poética totalmente prática. Serão quatro atividades de escrita e duas de não escrita, tendo como recorte ideológico a tensão entre corpo individual e corpo coletivo. Por meio de vídeos e informações coletadas em diversas mídias, vamos procurar reconhecer as estratégias de insubordinação dos corpos dissidentes e o poder da palavra não dita, utilizando como suporte metodológico ideias de Gloria Anzaldúa, Grada Kilomba e bell hooks.
– Apresentação
– Atividade de não escrita 1: reconhecendo o próprio corpo
– Atividade de não escrita 2: exercício de alteridade
– Atividade de escrita 1: “o sorriso de Basquiat”
– Leitura coletiva dos poemas produzidos
– Atividade de escrita 2: “amor em tempos de guerra”
– Leitura de trecho de “Tudo sobre o amor” de bell hooks
– Leitura do poema “Razões adicionais para os poetas mentirem” de Hans Magnus Enzensberger
– Leitura coletiva dos poemas produzidos
– Dinâmica “conflito e intervenção, a morte de Marvin Gaye”
– Atividade de escrita 3: “o inimigo dorme ao lado”
– Leitura coletiva dos poemas produzidos
– Atividade de escrita 4: “o encontro dos corpos ou recriação poética”
– Apresentação individual, processos de construção poética
– Leitura coletiva dos poemas produzidos
– Considerações finais

É escritora e professora. Colaborou com diversas revistas, incluindo Cult e Piauí. Soma mais de vinte participações em antologias, entre elas As 29 poetas hoje, organizada por Heloisa Teixeira. Autora dos livros de poemas Não (Patuá, 2016) e Ninguém quis ver (Companhia das Letras, 2023) — este último, semifinalista do Prêmio Oceanos.
Depois dos três módulos, teremos encontros com quatro convidados. São eles:

Nasceu em 1988 em Maceió, AL. É doutora em Teoria Literária pela Unicamp e autora de O rosto é uma máquina aquosa (Ofícios Terrestres, 2023), semifinalista do Prêmio Oceanos 2024, e Longarinas (7Letras, 2024), vencedor do Prêmio Oceanos 2025.

É poeta, tradutora e pesquisadora. Publicou o livro Tanto tempo para aprender a escrever um poema com hortênsias, pelas Edições Jabuticaba, em 2022. Traduziu e organizou, junto com Mariana Ruggieri, a antologia Discoteca selvagem, da poeta argentina Cecilia Pavón. Tem poemas publicados em revistas como Peixe-Boi e Inimigo Rumor. Dedica-se, no momento, a pesquisa de Doutorado em Teoria Literária na Universidade
de São Paulo.

Mar Becker nasceu em Passo Fundo (RS) e vive em São Paulo (SP). Foi finalista do Jabuti com seu livro de estreia; publicou Canção derruída (Assírio & Alvim/Portugal, 2023) e recebeu o prêmio APCA pelo seu livro mais recente, Noite devorada (Círculo de Poemas, Fósforo, 2025)

Nasceu em Santo Anastácio, SP, em 1978. Publicou mais de vinte livros, entre eles Engenheiro fantasma (Companhia das Letras, 2022, prêmio Jabuti 2023 de Poesia e Livro do Ano), Pão na chapa (Companhia das Letrinhas, 2022) e Um milhão de ruas (Editora 34, 2025), que reúne seus três livros
de crônica.